Petição busca criar lei de ensino preventivo de violência contra a mulher em Guarapuava

Iniciativa do movimento Tod@s por Todas sugere um programa nos mesmos modelos do Proerd. Para ser proposto, projeto precisa da assinatura de 5% dos eleitores do município

Se proposto e aprovado pela Câmara de Guarapuava, alunos de escolas municipais passariam a ter ensino preventivo sobre o tema (Foto: Zacalsuni/Divulgação)

A educação como ferramenta de transformação e a lei como meio de viabilizar e acelerar o processo da desnaturalização da cultura do machismo e da prática violenta contra as mulheres. Esse é o intuito da petição criada pelo movimento guarapuavano Tod@as por Todas, que recolhe assinaturas para consolidar um pedido de projeto de lei municipal que faça uso da educação como meio preventivo a perpetuação da violência de gênero.

Disponível na plataforma online AVAAZ.org, o site que recebe petições da comunidade já está recolhendo assinaturas para a pauta Toda a sociedade: Ensino preventivo de combate à violência contra as mulheres nas escolas. De acordo com Ana Cristiane Moreles, integrante do movimento em Guarapuava, o intuito refere-se as ações do grupo que, aliando-se a outros movimentos já existentes que atuam na luta pelo fim da violência contra a mulher, busca trabalhar na forma preventiva desse cenário.

“Sentimos que estamos sempre um passo atrás da violência. Claro que tem valor, e é importante o trabalho e as ações de assistência às mulheres vítimas, porque sabemos que a violência acontece na sociedade machista. Justamente por isso, nosso grupo é de prevenção, queremos evitar que isso aconteça e evitar que outras mulheres sejam violentadas”.

Ana Cristiane Moreles, integrante do movimento em Guarapuava (Foto: Arquivo pessoal)

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Como maneira de viabilizar esse trabalho preventivo, a petição busca consolidar um projeto de ensino para atuar nas escolas e dialogar, com proximidade, diretamente com os futuros adultos da sociedade, que são os potenciais agentes da mudança. De acordo com Ana, outros problemas de saúde e segurança pública já são debatidos nas escolas e, diante da importância e necessidade de se falar sobre esse tema, o projeto seria uma ferramenta eficiente.

“Nossa reivindicação primordial é que seja feito um projeto de lei e que seja aprovado para que o ensino contra a violência contra a mulher seja no modelo do Proerd. Queremos que ele seja ensinado no nível fundamental e médio, para que seja repetido em dois momentos. Além, é claro, das políticas públicas de prevenção. Nós não estamos aqui para negar todo o trabalho que já foi feito, pelo contrário, estamos aqui para somar à ele. Mas, queremos que seja através de lei”.

Para o movimento, o amparo legal trará segurança, efetividade e aceleração a essa mudança social tão urgente. Para ser proposto, o projeto precisa da assinatura de 5% dos eleitores do município.

Por que através da lei? Porque as políticas públicas são mudadas conforme o governo. Ao passo que, se nós tivermos uma lei que obrigue as escolas a ter essa formação para os seus alunos, não importa qual o político que esteja no governo. Vamos unir forças com outros grupos, vamos somar forças no foco da mudança e entendemos que a mudança passa pela educação. Por isso, vamos lutar por essa lei, para que ela seja proposta e aprovada.

O MOVIMENTO

De acordo com Ana, a ação guarapuavana Tod@s por todas é um movimento permanente da sociedade, apartidário, que se une a outros movimentos sociais locais que atuam no trabalho de luta pelo fim da violência contra a mulher.

Em Guarapuava, o grupo já está organizando atos para a próxima semana. Em um deles, haverá também o recolhimento de assinaturas para a petição, aos que se interessarem em participar.

“Precisamos também da força da comunidade como um todo. O pedido é para que seja feito o projeto de lei. Nós somos apartidários mas precisamos dos caminhos legais, legislativos, para alcançar nossa meta”, declarou Ana.

PROERD

O Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) foi introduzido no Brasil em 1992 e implantado no Paraná em 2000. De acordo com a Polícia Militar do Estado, o Proerd é desenvolvido nas escolas de 1ª a 4ª séries por policiais militares treinados e preparados para desenvolver o lúdico, com uma metodologia própria.

As crianças participam de quatro meses de curso e, no final, recebem um certificado e assumem o compromisso de se manterem longe das drogas, em uma solenidade de formatura.

A ideia do projeto de ensino preventivo de violência contra a mulher é justamente utilizar o elo de fortalecimento entre poder público, escola e família para operar a transformação da cultura machista em Guarapuava.

É relevante que nós ensinemos os meninos. O conselho é bíblico: ensina o menino o caminho que ele deve andar que ele não vai se afastar. Nós queremos uma forma preventiva de ensino em que consigamos instruir as crianças que as meninas possuem todos os direitos que os meninos tem, de jogar futebol, de usar azul, de dia do brinquedo levar a bola… São nesses momentos que nós levamos o estigma da princesa que espera o príncipe encantado e não vai à luta.

Para assinar a petição, clique aqui.

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