Pinhão garante renda extra para comerciantes das rodovias

Com a chegada dos dias mais frios, as pessoas que sobrevivem do comércio às margens da BR-277 garantem um reforço na renda. É que desde o dia 15 de abril a coleta, transporte e comercialização do pinhão estão liberados, e a recente queda das temperaturas tem contribuído para impulsionar as vendas.
Fátima Balhs trabalha há 11 anos na rodovia vendendo batata, cebola, frutas e pinhão. Segundo ela, nesta época do ano a renda aumenta bastante por causa da semente da Araucária. “Está muito bom, principalmente quando chove e está mais frio, nesses dias chego a vender 200 quilos de pinhão. Nós esperamos chegar a safra do pinhão para pagar as dívidas”, comenta.
Fátima vende o saco de 2,5 quilos por R$ 5 e o de 5 quilos sai por R$ 10. Já o pinhão cozido, pronto para ser degustado na viagem, custa R$ 1, uma medida equivalente a um copo de plástico descartável. “Tem dias que cozinho dez panelas de pressão e vendo tudo”, diz.
De acordo com a vendedora, já não há mais tantas pinhas na região como antigamente. “A gente percebe que a cada ano vai diminuindo, vai acabando também por causa da madeira do pinheiro, muito utilizada. Há três, quatro anos trazíamos para a barraca pinhas inteiras, porque muitas pessoas não conheciam e tinham curiosidade de saber de onde vinha o pinhão, mas agora as pinhas estão bem falhadas, não tem como vender elas inteiras”, observa.
A partir da metade do mês que vem começa a ficar mais difícil encontrar pinhão e, em função disso, os preços se elevam. “Quem tem dinheiro pega tudo no mato e guarda na câmara fria (Codapar) e quando nós já não temos mais, tem gente que ainda consegue vender porque tinha guardado. Mas é caro para manter na câmara fria, para nós não compensa”, fala Fátima. No final da safra, o quilo do pinhão chega a ser vendido entre R$ 4 e R$ 5.
Produção
Existem cerca de 4000 hectares de cultivos florestais de araucária no Estado, em empresas florestais, sendo um dos desafios incentivar a silvicultura com espécies nativas, segundo Alexandre França Tetto, engenheiro florestal, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Abastecimento do Paraná (Seab-PR).
Ele conta que a coleta de pinhão representa 0,09% do Valor Bruto da Produção (VBP) do Estado, sendo uma importante alternativa de renda para o pequeno agricultor. No entanto, a perspectiva para esse ano é de uma queda na produção e, conseqüente, aumento no preço do pinhão.
Em 2004, o Paraná produziu 3.541 toneladas de pinhão no auge da produção. Em 2007, foram 2.662 toneladas, em 2008, 2.071 toneladas. A região de Guarapuava é onde está a maior produção de pinhão do Estado. O município de Pinhão, vizinho a Guarapuava, é o maior produtor. Segundo Tetto, no ano passado Pinhão produziu sozinho 290 toneladas, seguido de Guarapuava, com 170 toneladas.
Para disciplinar a exploração sem oferecer risco para as florestas de araucárias, a Portaria Normativa DC-20, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) define o período de coleta, transporte e comercialização do pinhão. O período vai de abril a junho.
O Pinheiro-do-Paraná possui vários usos, entre eles a possibilidade de retirada de suas folhas para a extração de biflavonóides, que retarda o envelhecimento, podendo ser usado em cosméticos e produtos alimentícios.

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