22/08/2023
Blog da Cris Política

Quando o palco público vira palanque, quem paga a conta é o cidadão

Prefeito de Candói, Aldoino Godoni se utilizou do 'Canta Candói' para pedir votos a pré-candidatos em detrimentos de outros


Aldoino, prefeito de Candói (Foto: arquivo/RSN)o

Para um gestor público, o microfone de um palco oficial não é extensão de comitê eleitoral. É instrumento da administração, pago pela população e destinado a servir a todos. Inclusive aqueles que não votam no grupo político do prefeito. Por isso, causa preocupação a fala atribuída ao prefeito de Candói, Aldoíno Goldoni, o Dino, durante o Canta Candói, evento divulgado oficialmente como festa cultural,  entre 22 e 24 de maio, com programação musical e participação popular. Já existe representação judicial sobre esse fato, divulgado em vídeos nas redes sociais.

De acordo com o Festival, o evento contou com premiação superior a R$ 40 mil, transporte para comunidades e estrutura custeada com recursos públicos. Nesse contexto, a presença de pedidos de apoio ou voto a nomes específicos, ultrapassa o campo da simples manifestação política e entra numa zona sensível: a mistura entre o interesse público e o interesse eleitoral.

A cultura deve aproximar a população, valorizar talentos locais e fortalecer a identidade do município. Não pode ser sequestrada por discursos de conveniência eleitoral, ainda mais quando o palco, o som, a divulgação, a logística e a estrutura saem do bolso do contribuinte. O cidadão vai a uma festa pública para participar da vida comunitária, não para receber uma lista de preferências políticas.

GRATIDÃO NÃO AUTORIZA PROPAGANDA

Também é preciso lembrar que gratidão institucional não autoriza propaganda. Reconhecer apoio de lideranças é uma coisa. Mas transformar reconhecimento em chamado eleitoral é outra bem diferente. Em ano pré-eleitoral, esse cuidado deveria deve possuir atenção redobrado, sobretudo por quem ocupa cargo público e sabe que a fala carrega peso, influência e alcance.

Candói merece eventos públicos fortes, plurais e transparentes. Mas justamente por serem públicos, esses espaços precisam pertencer à cidade e não a grupos, padrinhos ou projetos eleitorais. Quando a festa vira palanque, a democracia local perde espontaneidade, e o dinheiro público passa a financiar uma vantagem política que não deveria existir.

Leia outras notícias no Portal RSN.

Cristina Esteche

Jornalista

Relacionadas

A missão da RSN é produzir informações e análises jornalísticas com credibilidade, transparência, qualidade e rapidez, seguindo princípios editoriais de independência, senso crítico, pluralismo e apartidarismo. Além disso, busca contribuir para fortalecer a democracia e conscientizar a cidadania.