Repercussão: Carli “nadou de braçadas”

Guarapuava – A semana passada foi excelente para o prefeito Fernando Ribas Carli (PP). Ao reverter a situação inicial na Câmara de Vereadores, conquistando quatro votos e desfalcando o chamado G-8, bloco parlamentar de oposição liderado pelo petista Antenor Gomes de Lima, Carli trouxe consigo a certeza de que aprovaria o que bem entendesse.
E é o que está acontecendo. A sinalização de que o G-8 agora lhe pertence foi dada quando o prefeito encaminhou à Câmara projetos de lei que pediam autorização no campo financeiro, incluindo o que já havia sido rejeitado pelos oposicionistas nos primeiros meses em que o Legislativo experimentou ter a maioria na oposição.
O primeiro anúncio do prefeito pegou embalo na reunião entre o deputado federal Cezar Silvestri (PPS) e 11 dos 12 vereadores no final da tarde de segunda-feira (16) na suntuosa sala de reuniões da Prefeitura. Se a reunião era para que Silvestri pedisse a doação de uma área para a instalação do campus da Universidade Tecnológica Federal, Carli não perdeu tempo e colocou a sua carta sobre a mesa avisando que já mandaria para a Câmara o pedido de autorização para endividar Guarapuava em R$ 11,4 milhões.
Bem ao estilo do “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”, um dos primeiros atos do prefeito quando assumiu a Prefeitura na segunda gestão foi cortar empréstimo contraído pelo ex-prefeito Vitor Hugo Burko, perante a própria Agência de Fomento do Paraná, no valor de R$ 10 milhões. Carli justificou dizendo que faria todas as obras elencadas por Burko com recursos próprios. A retórica não é verdadeira e se a dívida de Burko era R$ 1,4 milhão a menos do que a de Carli, contemplaria muito mais. O empréstimo contemplava o alargamento da XV, não somente até o quartel da Polícia Militar como prega Carli, mas até o Residencial 2000, além de construção de creches no próprio 2000, Jordão, Boqueirão, a construção do Parque das Cavalhadas e pavimentação de ruas.
Justificando o seu voto, o vereador Antenor Gomes de Lima anunciou ser favorável a esse projeto de lei mesmo que seja no “apagar das luzes” do governo Requião e em véspera de ano eleitoral. “Chega de Guarapuava perder recursos do Estado”, afirmou.
O que chama a atenção, entretanto, é que o prefeito resolveu se aproximar do governador (que tem interesse no colégio eleitoral de Guarapuava para se eleger ao Senado Federal) somente às vésperas de ano eleitoral quando vai tentar “emplacar” o filho caçula, Bernardo, a uma das vagas na Assembleia Legislativa do Paraná, como compensação à renúncia do primogênito Carli Filho, acusado pelas mortes de dois jovens durante acidente em que abusou da velocidade e do consumo de bebidas alcoólicas.
Não se questiona o fato de Guarapuava virar um “canteiro de obras por todos os lados”, como apregoa o prefeito. O que se pergunta é por que não foi feito isso antes? Afinal, Carli está no segundo mandato consecutivo e sempre preteriu recursos do Governo do Estado, como foi o caso dos R$ 30 milhões da Sanepar.
Além da autorização para o endividamento do município, Carli conseguiu recuperar o chamado “cheque em branco” que o G-8 anterior havia cassado. Por 8 votos, agora favoráveis, o prefeito recebeu a autorização para fazer o que quiser com uma grande fatia (40%) do orçamento do município. Ele pode realizar operações de crédito por antecipação da receita, nos termos da legislação vigente; realizar operações de crédito até o limite estabelecido pela legislação vigente; abrir créditos adicionais suplementares até o limite de 40% do total geral do orçamento fiscal; transpor, remanejar ou transferir recursos de uma categoria de programação para outra, ou de um órgão para outro, nos termos do inciso VI da Constituição Federal; proceder ao remanejamento de dotações do orçamento de um para outro elemento de despesa na mesma categoria de programação, da fonte livre para as fontes vinculadas, sem que tal remanejamento seja computado para fins do limite previsto no inciso III (40%). Os vereadores Nélio Gomes da Costa e Eva Schran se pronunciaram contra esse projeto de lei e os vereadores Antenor Gomes de Lima (PT) e Thiago Cordova (PPS) estavam ausentes da sessão.
Mas as conquistas do prefeito não param por aí. A bancada situacionista dispensou prazos regimentais de tramitação de projetos de lei, incluiu projetos de lei que estavam fora da Ordem do Dia, e ainda conseguiu aprovar a realização de duas sessões extraordinárias subsequentes, além da ordinária. Foram três sessões em 6 horas num único dia. De nada adiantaram os protestos da vereadora Eva Schran contra as votações de “afogadilho”. Ela foi voto vencido. O oposicionista Admir Strechar (PMDB) disse que à posição agora resta apenas o discurso.
Para mostrar que o seu “inferno astral” acabou, o prefeito ainda conseguiu mais R$ 2,4 milhões por meio de autorização legislativa para abertura de crédito especial suplementar.

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