Rossoni joga a culpa dos aditivos no “colo” do governo Richa

Após negar envolvimento em operação, Rossoni diz que vai "calçar botinas e cuidar da sua indústria"

“Vou calçar minhas botinas, colocar meu chapéu de pano e cuidar da minha indústria”. Essa afirmação foi feita pelo deputado federal Valdir Rossoni (PSDB), durante entrevista coletiva nesta sexta feira (26), em Curitiba. A resposta foi dada a um dos jornalistas depois de observar que o deputado vivia o pior momento da sua vida política, numa referência à derrota sofrida nas urnas, afirmação que foi contestada pelo parlamentar. “Vivo o meu melhor momento” e deu a entender que cuidará dos seus negócios particulares após o final do atual mandato.

A pauta da entrevista, porém, foi a Operação Quadro Negro, na qual o deputado foi envolvido. Rossoni nega qualquer participação nos desvios de recursos pagos para a construção e reformas de escolas no Paraná e denuncia a negligência do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) nas tornozeleiras eletrônicas usadas em envolvidos na Operação.

Na questão dos aditivos para o pagamento da Construtora Valor, em obras que não estavam concluídas, o deputado repassa a responsabilidade ao próprio Governo do Estado, mandato do ex-governador Beto Richa. Segundo Rossoni, o pagamento de oito aditivos para essas obras à Construtora Valor, passou por 12 instâncias e quatro procuradores do Estado.

“Esses aditivos foram pedidos pela Sude [Superintendência de Desenvolvimento Educacional], passou pela Casa Civil, pelo Gestão de Administração Fiscal, composto por cinco secretários, incluindo a Educação e a Fazenda, e o próprio Conselho pediu para aditivar as obras que não foram construídas”. O deputado falou, também, que em 2014 o Estado passou por dificuldades financeiras, não tendo recursos para pagar a folha de pagamento e pedia que todos economizassem.

A ação, protocolada depois de dois anos de investigações, é parte da Operação Quadro Negro, que apura o desvio de mais de R$ 20 milhões de obras de escolas públicas do estado. Rossoni lembrou que na época era presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

“Cerca de R$ 600 milhões foram devolvidos pela Assembleia. Esse dinheiro todo é requisitado pelo Estado e vai para um caixa único e é distribuído às secretarias”.

De acordo com o Ministério Público, porém, ele e o deputado Plauto Miró providenciavam a entrada de recursos nos cofres do poder público sob a promessa de que receberiam contrapartida financeira para isso. As investigações também apontaram que Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação (Seed), o protagonista dos desvios de recursos, seguia ordens do ex-governador Beto Richa, que seria o principal beneficiário do esquema. Para o MP, as investigações apontaram, em especial, com base nas delações de Eduardo Lopes de Souza e Maurício Fanini, que os aditivos foram desnecessários e fraudulentos.

“A ação civil pública tem 15 testemunhas e nenhuma citou o meu nome. Quem citou foi o delator que é desonesto”, disse ao referir-se a Eduardo Lopes de Souza, a quem disse ter visto apenas duas vezes. “Encontrei com ele uma vez no meu escritório em Bituruna porque ele não estava atrasando o pagamento de fornecedores. E a segunda vez foi no meu gabinete parlamentar na Assembleia. Ele estava lá com engenheiros de Bituruna e tentava convencer a engenheira para que assinasse a medição sem estar terminada”. Rossoni disse que isso não foi permitido.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Apresentando relatórios de auditoria por ele solicitada, Valdir Rossoni criticou dados do Ministério Público na construção de uma escola e reforma de outra em Bituruna, feitas pela Construtora Valor.

“O MP periciou uma das escolas e disse que encontrou erros. Também encomendei uma perícia nos pontos do MP. O MP errou na contagem de portas, errou no número de ar condicionados e não viu um acesso de 600 metros que foi construído para o desembarque de crianças”.

Segundo Rossoni, o desvio foi construído para evitar que as crianças desçam na rodovia. De acordo com Rossoni, em Bituruna as obras foram executadas. Ele também reclamou da ação de improbidade administrativa ter sido divulgada cinco dias antes das eleições, causa atribuída à sua derrota nas urnas.

DENÚNCIA

A denúncia anunciada pelo deputado federal Valdir Rossoni é de que o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) não está fiscalizando o uso de tornozeleiras eletrônicas, principalmente, por parte dos envolvidos na Operação Quadro Negro.

“O Depen não está cumprindo as determinações que a justiça que exige do delator. Ele [Eduardo] está infringindo a lei há muito tempo”.

Segundo Rossoni, Eduardo não trabalha há cinco anos e vive nos melhores restaurantes e shoppings de Curitiba e São Paulo. “Que milagre é esse? Será que não sabem onde está o dinheiro que foi desviado?”, insinuou.

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