Sem a reforma da Previdência, “país vai à bancarrota”, diz empresário de Guarapuava

Porém, para deputado federal, se a atual proposta for aprovada quem "quebra" é o trabalhador

Centrais sindicais de um lado, empregadores de outro protagonizam o debate nacional sobre a reforma previdenciária. Nesta sexta (22), sindicatos protestaram em todo o país e uma audiência pública na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), campus Santa Cruz, a partir das 19h, também discute o tema. O deputado federal Aliel Machado (PSB), participa do debate.

Considerada prejudicial por grande parte da classe trabalhadora, por retirar direitos conquistados ao longa de décadas, a proposta apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), segundo Aliel, apresenta “regras mais duras”, em relação à proposta anterior do ex-presidente Michel Temer (MDB), que já era rejeitada pelas centrais sindicais.

Entretanto, o que desagrada uns, agrada outros. De acordo com o empresário Júlio Agner, de Guarapuava, é preciso pensar que houve “muitos erros no passado” pelo estilo de política que vinha sendo praticado. “Alguns grupos organizados pressionaram o governo e criaram nichos na Previdência”. Outro fator negativo apontado pelo líder empresarial, está ligado ao aparelhamento público com excedente de funcionários, chegando num momento de desequilíbrio das contas e do orçamento público. Se isso não for resolvido o país vai à bancarrota”.

Empresário Júlio Agner (Foto: arquivo pessoal)

Segundo Júlio Agner, a “chiadeira” do momento é dos segmentos organizados que conseguiram, ao longo do tempo, as melhores condições, as remunerações maiores, e que estão nas três esferas de poder.

Porém, o empresário defende que a classe política, “um pouco mais renovada no Congresso Nacional, olhe pelos interesses da nação e, principalmente, da maioria que são as pessoas mais simples e, muitas vezes, não se mobilizam. São elas que precisam de maior justiça até na cessão da dose de sacrifício que deverá ser dada pela sociedade”.

Na visão do empresário, o brasileiro já se arrasta por cinco anos por conta da crise que, segundo Júlio Agner, está sendo duradoura, esse problema precisa de uma solução.

Houve uma euforia muito grande com a troca de governo, mas infelizmente, a gente vê que os grandes grupos ainda não estão apostando no Brasil. Infelizmente, o nosso governo tem pouca capacidade de investimento, então temos que esperar que a iniciativa privada faça isso.

Nesse sentido, Júlio Agner entende que para a retomada da economia, do crescimento e dos empregos, é necessário que o Governo crie um ambiente de pagamento, de redução do déficit, de previsibilidade, de equilíbrio orçamentário. Na opinião do ex-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava (ACIG) e ex-coordenador regional da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), isso tem que ser feito de uma maneira bastante intensa, já prevendo aí uns 10, 15 e 20 anos, porque “senão a gente não acerta a economia. E não acertando o setor econômico quem perde é a sociedade como todo”.

Conforme Júlio Agner, embora haja “essa chiadeira dos segmentos organizados” todos tem que ceder para resolver o problema. “Nós empresários temos doado a cota de contribuição na crise e estamos confiantes, desde que cada um faça a sua parte”.

Na tarde desta sexta feira (22) o deputado esteve na redação do Portal RSN (Foto: Reprodução/Live Portal RSN)

Já o deputado federal, Aliel Machado (PSB), disse também ao Portal RSN, que as alterações propostas pelo Governo não podem ser aceitas. O deputado, porém, entende que mudanças são necessárias. “Quando se aumenta a expectativa de vida de uma população, é justo que se façam ajustes, mas sem aumentar as injustiças”. Ele cita como ponto positivo da proposta, o aumento na alíquota de contribuição para os que ganham mais e a proposta que atinge os próprios políticos. Segundo o parlamentar, a PEC que tramita no Congresso, prejudica o trabalhador na sua aposentadoria.

Fixaram a idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres com tempo de 40 anos de contribuição para receber o benefício integral. Isso amplia as desigualdades, e não retira privilégios. Temos que ter bem claro que há trabalhadores em condições desiguais.

Outro ponto criticado pelo deputado e considerado o “mais absurdo”, está na mudança do Benefício de Prestação Continuada (BPC), concedido a idosos pobres. Hoje o repasse é equivalente um salário mínimo (R$ 998) a partir dos 60 anos. Com a nova proposta, esse valor cairá para R$ 400 aos 60 anos e um salário mínimo somente aos 70 anos de idade.

Dentre os absurdos, esse é o maior. Querem tirar o pouco que os mais pobres ganham para sobreviver. Enquanto isso, outras categorias não são atingidas da forma que precisaria. Não vamos aceitar esse absurdo.

O deputado também contesta dados do  Governo Federal mostrando que o sistema previdenciário é deficitário.

“O sistema previdenciário brasileiro não é deficitário por si só, mas apresenta números negativos diante de outros pagamentos que são feitos pelo Ministério da Previdência”, diz Aliel. Segundo ele, esse setor paga benefícios sociais que deveriam sair do orçamento de outras pastas do Governo. “Essa história da Previdência ser deficitária é um discurso para retirar direitos”, afirma.

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