Sentinela acompanha 30 casos de violência sexual

No primeiro semestre deste ano, o Projeto Sentinela (coordenado pela Fundação do Bem Estar do Menor Fubem) atendeu 30 novos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Com um conjunto de ações sociais especializadas e multiprofissionais, a entidade presta assistência às vítimas de violência e também às suas famílias.
O Sentinela só trabalha mediante denúncias ou através de encaminhamentos, o que acaba mascarando os números que, na realidade, são bem maiores. “Normalmente há uma concordância das próprias vítimas em função do interesse financeiro. Por isso, muitas vezes, não gera nem as denúncias. Quando uma pessoa percebe que pode estar acontecendo alguma coisa de errado com a criança, acaba denunciando, mas nem mesmo o familiar faz isso, porque é beneficiado de alguma forma com a situação”, observa a presidente da Fubem, Maria do Carmo Abreu (foto).
O atendimento envolve assistente social, pedagogo e psicólogo; entrevistas com usuários e familiares; identificação dos casos, com levantamento das informações familiares e sobre a situação específica de cada caso; acompanhamento escolar; apoio psicossocial; manutenção de equipe de educadores para acompanhamento e abordagem junto às crianças e aos adolescentes vitimados sexualmente e violados em relação aos seus direitos.
Entre as dificuldades enfrentadas pela equipe está a aceitação pela família. “Muitas não se abrem, ficam com medo de ser responsabilizadas, então é um atendimento a longo prazo”, diz.
A maioria das vitimas de abuso e exploração sexual ajudadas pelo projeto tem entre 9 e 15 anos de idade é violentada por um membro da família ou alguém de seu convívio. “Falta de cultura, o alcoolismo que faz com que as pessoas percam a noção do bom senso, drogas, são os fatores mais preponderantes de crimes contra a criança”, destaca.

Violência sexual pode gerar traumas

De acordo com a psicóloga Tânia Regina dos Reis Mansano, para que haja diagnóstico de TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) é necessário que a pessoa tenha ex-perimentado, presenciado ou ter sido confrontada com um ou mais acontecimentos que implicaram em: morte, ameaça de morte, lesões sérias ou ameaças à integridade física ou outros.
As principais características do TEPT são: recordações repetitivas e intensas do fato, sonhos recorrentes do acontecimento que provocam mal estar; ações ou sentimentos como se o evento traumático estivesse se repetindo naquele momento; mal estar psicológico intenso ao se expor a estímulos internos ou externos que simbolizam ou recordam aspectos do acontecimento traumático; e respostas fisiológicas (dificuldades em conciliar ou manter o sono; irritabilidade ou explosões de ira, dificuldades em se concentrar; hipervigilância; respostas exageradas de sobressalto, dentre outros).
“As pessoas a partir de suas experiências de vida passam a criar barreiras e limites de proteção e segurança. Um trauma é uma situação que rompe essas barreiras e limites, que faz com que a pessoa paralise no tempo e no espaço. O trauma deixa traços mnemônicos que são como marcas, sempre que é revivido com intensidade provoca retraumatizações; o afeto fica preso dentro das marcas. Quanto mais profunda a marca mais o afeto fica aprisionado”.
Segundo Tânia, os traumas mais comuns são os de abandono ou negligência; violência em suas várias formas, principalmente o abuso sexual e de perdas de familiares e condições sócioeconômicas.
“Os traumas de infância, apesar de não ocupar o topo da lista dos transtornos emocionais mais comuns, é um dos transtornos mais frequentes encontrados tanto em atendimentos clínico quanto atendimentos assistenciais”, comenta.
Tânia alerta que o trauma pode e deve ser tratado por profissional qualificado, que é um psicólogo, pois é uma das patologias mais difíceis e comprometedoras, impedindo uma vida regular e de qualidade.

Confira a entrevista em vídeo:

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