22/08/2023
Mário Luchetta

Vamos tirar Tiradentes do museu!

É urgente resgatarmos o espírito da Inconfidência Mineira das galerias do passado e trazê-lo para o centro do debate sobre o futuro do nosso país

Mario Luchetta (Foto: divulgação)

A história de uma nação é um organismo vivo que exige nutrição constante através do exemplo, da memória e, acima de tudo, da ação. Desenvolvemos, entretanto, o hábito perigoso de confinar nossos heróis e símbolos ao ambiente estático dos museus e aos bustos de bronze frios que adornam praças esquecidas.

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tornou-se para muitos uma figura datada, uma peça de oratória escolar ou um feriado de descanso, quando deveria ser o motor contínuo da propagação dos ideais que o imortalizaram. É urgente resgatarmos o espírito da Inconfidência Mineira das galerias do passado e trazê-lo para o centro do debate sobre o futuro do nosso país.

O martírio de Tiradentes encontra um eco perturbador na realidade brasileira contemporânea. O estopim da revolta de 1789 foi o “Quinto” — a taxação de 20% sobre a produção de ouro — e a ameaça da “Derrama”, a cobrança compulsória de impostos atrasados que sufocava a capitania. Se olharmos para o presente com a lucidez necessária, perceberemos que o Brasil atual impõe ao seu povo uma carga tributária que beira o dobro do que motivou a insurreição mineira. Vivemos sob a égide de um Leviatã estatal que consome o suor do trabalhador e o capital do empreendedor para sustentar uma máquina burocrática agigantada, ineficiente e, muitas vezes, desconectada da realidade de quem produz riqueza.

Retirar Tiradentes do museu significa reconhecer que a luta pela liberdade é uma construção permanente. A liberdade de expressão, a soberania individual e o direito à propriedade são valores que exigem vigilância constante. Quando permitimos a dormência das nossas instituições ou aceitamos o silêncio obsequioso de lideranças diante do arbítrio, estamos, na prática, enterrando novamente o nosso mártir. Se Tiradentes permanecer como uma mera peça de exposição, junto com ele ficará guardada e trancafiada a esperança de um Brasil verdadeiramente livre e próspero. A nossa dignidade como povo depende da nossa capacidade de trazer para o presente a coragem moral que definiu o Alferes.

As instituições da sociedade civil organizada possuem a responsabilidade histórica de liderar esse despertar. É tempo de resgatar o protagonismo que define a nossa soberania e de exigir que o Estado sirva ao cidadão, e não o contrário. A omissão diante do esvaziamento de princípios é o caminho mais curto para a mediocridade nacional. Precisamos de líderes que atuem como ímãs de integridade, atraindo vozes que defendam a transparência, a ética e a sanidade fiscal. O exemplo de Tiradentes deve ser o combustível para enfrentarmos o populismo e o assistencialismo que buscam escravizar o eleitor através da dependência estatal.

As eleições de 2026 representam a nossa maior oportunidade de transformar essa inspiração em renovação política efetiva. O voto consciente é a ferramenta soberana para escolhermos representantes que honrem a trajetória de quem deu a vida pela pátria. Devemos buscar nomes que possuam preparo técnico, vivência de realidade e, principalmente, a coragem de defender a liberdade contra a sanha arrecadadora e intervencionista do poder central. A renovação que o Brasil exige passa pela ocupação qualificada de espaços por quem carrega valores inalienáveis e o desejo sincero de servir à população.

Tiradentes vive no coração de cada brasileiro que exige justiça, que luta pela redução da carga tributária e que acredita no mérito como motor do desenvolvimento. A sua herança é a convicção de que a liberdade, ainda que tardia, é o bem mais precioso de uma sociedade civilizada. Vamos libertar os nossos heróis das molduras do passado e permitir que seus ideais guiem as nossas escolhas no presente. O Brasil do futuro é uma construção do agora, e essa obra exige que o patriotismo seja vivido com a intensidade de quem sabe que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Que o exemplo de Joaquim José da Silva Xavier seja a nossa bússola para um país onde a ética e a prosperidade sejam a regra, e não a exceção.

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Cristina Esteche

Jornalista

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