22/08/2023
Brasil Mário Luchetta

A política do prumo e a autenticidade de Zema

Na política brasileira, o "prumo" sempre foi a ética, mas, infelizmente, muitos preferiram trocá-lo pela conveniência de paredes desalinhadas, contanto que o teto as protegesse


Mario Luchetta (Foto: divulgação)

Na construção de uma grande obra, o mestre de obras experiente sabe que não basta ter os melhores materiais se o prumo estiver torto. Na política brasileira, o “prumo” sempre foi a ética, mas, infelizmente, muitos preferiram trocá-lo pela conveniência de paredes desalinhadas, contanto que o teto as protegesse. O que assistimos recentemente com a postura de Romeu Zema diante do episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foi além de uma declaração política; foi o uso firme desse prumo.

O Brasil viciou-se no “silêncio dos cúmplices”. Criou-se a falsa ideia de que, para derrotar um mal maior, devemos ignorar as manchas de óleo no nosso próprio convés. Zema, ao se posicionar rapidamente sobre o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro, rompe com essa lógica medíocre. Ele demonstra que a liderança real assume o “custo político” quando o que está em jogo é o valor moral. É fácil apontar o dedo para o adversário; o teste de fogo de um estadista é ter a coragem de manter o padrão de exigência com aqueles que, em tese, caminham no mesmo campo.

Zema tem se consolidado como uma voz firme em um deserto de posicionamentos líquidos. Ele não é um aventureiro da retórica ou um personagem criado por marqueteiros de última hora. Ele traz consigo a vivência de quem saneou um dos estados mais complexos da federação, Minas Gerais, provando que a austeridade e a eficiência são conceitos concretos, ferramentas de transformação social. Sua viabilidade como projeto de País nasce de uma biografia que resiste ao escrutínio.

A autenticidade de Zema incomoda porque ela expõe a hipocrisia generalizada. Vivemos tempos onde a relativização tornou-se a regra: “se é do meu lado, a gente abafa; se é do outro, a gente condena”. Ao recusar o conforto do silêncio, Zema mostra que não aceita ser refém de coalizões que sacrificam a ética no altar do pragmatismo eleitoral. Ele optou por bater em quem tiver que bater, desde que a verdade seja o alvo.

Precisamos de uma liderança que entenda que a política deve ser o espelho da sociedade que desejamos ser. Se queremos um Brasil limpo, devemos cobrar que nossos representantes não usem métodos obscuros sob qualquer pretexto. A postura de Zema é um convite à reflexão: até quando vamos aceitar o “menos pior” em troca da nossa integridade intelectual?

O ex-governador mineiro prova que é possível ter lado sem perder a visão crítica. Ele se coloca como uma opção viável justamente porque tem o que falta a muitos: a capacidade de construir um projeto de nação alicerçado na coerência. Zema não escolheu a zona de conforto. Ele escolheu a verdade, e no tabuleiro de xadrez da política nacional, essa é a jogada que define quem são os grandes líderes e quem são apenas peças passageiras.

Existe, sim, um claro mal maior a ser combatido, mas isso de forma alguma pode significar o silêncio hipócrita das pessoas de bem.

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Cristina Esteche

Jornalista

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