22/08/2023
Blog da Cris Paraná

Graeml desabafa e expõe incoerência de Moro

O problema não é Moro ter mudado de rota, algo rotineiro na política. Mas o fato de ele ter construído uma imagem justamente negando esse tipo de prática

Cristina Graeml (Foto: reprodução/redes sociais)

A entrevista da jornalista e pré-candidata Cristina Graeml à Jovem Pan News Curitiba não foi apenas um ataque direto ao senador Sérgio Moro. Trata-se de um raro momento de quebra de protocolo dentro de um campo político que costuma varrer conflitos para debaixo do tapete.

Ao abrir fogo contra Moro e admitir que se sentiu traída, Graeml expôs a engrenagem real das articulações de bastidores. A fala dela vem motivada por um sentimento de desamparo político. Cristina teve o incentivo de Moro para entrar na disputa pelo Senado quando ambos estavam no União Brasil.

Entretanto, porém, a jornalista viu os compromissos evaporarem conforme o senador mudava os próprios planos de estado e partido. Para ela, não foi apenas uma mudança estratégica, mas um descumprimento de palavra que a deixou sem legenda e sem suporte.

Moro e Graeml (Foto: União Brasil)

O que ela escancarou, portanto, trata-se da informalidade, quase personalista, como se tomam que decisões estratégicas, onde convites políticos não passam de apostas frágeis. O problema não é Moro ter mudado de rota, algo rotineiro na política. Mas o fato de ele ter construído uma imagem justamente negando esse tipo de prática. Quando Graeml diz que teme alguém “não cumpridor de palavra”, ela está desmontando a principal moeda política de Moro: a previsibilidade ética.

SENTIMENTO DE ABANDONO

Isso cria um ruído difícil de conter porque não vem de um adversário ideológico, mas de alguém que fala a mesma língua e mira o mesmo eleitorado. Graeml não rompeu em silêncio. Ela nomeou o sentimento de abandono para dar forma política à frustração. Ela se sente usada como “peça de manobra” em um tabuleiro onde o ‘Rei’ mudou as regras no meio do jogo.

No fundo, o que essa entrevista revela é uma disputa por quem tem legitimidade para representar o eleitor “anti-sistema”. Graeml percebeu que a melhor forma de se proteger politicamente era denunciar que os principais nomes do grupo estão operando exatamente como o sistema que tanto criticavam. Ao decidir não suavizar, ela tenta salvar sua própria biografia da incoerência alheia.

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Cristina Esteche

Jornalista

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