22/08/2023
Blog da Cris Brasil Política

Caso Master expõe o “salve-se quem puder” da política brasileira

Nova fase da Operação mira Jaques Wagner e amplia o desgaste sobre uma investigação que já atravessa governo, oposição, mercado financeiro e estruturas de poder

Senador Jaques Wagner (Foto: Pedro Alcântara/Agência Senado)

A nova fase da Operação Compliance Zero colocou o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, no centro de uma investigação que já não pode ser lida apenas pela lente partidária. A Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e o controlador, Daniel Vorcaro. Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta (18), embora a PF não tenha citado nomes em nota oficial.

É preciso dizer com clareza: investigação não é condenação. Jaques Wagner, como qualquer outro investigado, tem direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. Mas também é preciso dizer, com a mesma clareza, que autoridade pública não responde apenas à Justiça; responde também à sociedade. Quando um líder do governo no Senado é alcançado por uma operação desse tamanho, a cobrança por explicações deixa uma disputa política e passa à exigência republicana.

CASO MASTER É MUITO MAIOR

O Caso Master é maior do que um nome, um partido ou uma manchete de impacto. O que aparece no horizonte é uma engrenagem conhecida demais no Brasil. Ou seja: dinheiro privado circulando perto do poder público, interesses financeiros procurando atalhos institucionais e personagens políticos tentando explicar relações que, no mínimo, exigem transparência. A PF informou que a nova etapa investiga possível participação de agente público em esquema ligado ao sistema financeiro, com suspeitas que podem caracterizar corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Por isso, o comentário mais honesto talvez seja este: é salve-se quem puder. Quando a suspeita bate em aliado, fala-se em perseguição; quando bate em adversário, decreta-se culpa antes da denúncia. O Caso Master incomoda o governo porque agora toca um nome forte do PT. No entanto, também já produziu ruídos para outros campos políticos, incluindo menções públicas a relações de Daniel Vorcaro com figuras da oposição. O próprio Senado registrou, em maio, pronunciamento de Wagner sobre áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro.

TRAVESSIA DE FRONTEIRAS

A gravidade está justamente nessa travessia de fronteiras. Quando um escândalo alcança mercado financeiro, banco estatal, empresários, operadores políticos e agentes públicos, a pergunta principal não pode estar limitada a “quem ganha a narrativa?”. A pergunta correta é: quem abriu as portas, quem se beneficiou, quem fechou os olhos e quem usou influência pública para favorecer interesses privados? A investigação sobre o Banco Master já envolveu prisões, buscas e suspeitas relacionadas a fraudes financeiras bilionárias. As manchetes estão aí na mídia nacional e internacional. Portanto, são fatos!

E assim, o país precisa escapar da política de torcida organizada. Nem todo investigado é culpado, mas nenhum poderoso deve ser tratado como intocável. Se houver crime, que se prove; se houver inocência, que se demonstre. E se houver rede de proteção, que seja rompida. O Caso Master pode até ter começado como uma crise bancária, mas hoje se tornou um teste de maturidade institucional. Ou o Brasil investiga todos, de todos os lados, ou continuará repetindo o velho roteiro em que cada grupo salva os ‘seus’ e sacrifica apenas os adversários.

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Cristina Esteche

Jornalista

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