22/08/2023
Blog da Cris Brasil Política

Vorcaro não escolhia lado. Escolhia acesso

Caso Master amplia o constrangimento em Brasília e agora coloca Nikolas Ferreira, que cobrava explicações de autoridades, também diante das próprias relações com Vorcaro

Nikolas Ferreira (Foto: reprodução/Poder 360)

O caso Daniel Vorcaro está desmontando uma fantasia bastante conveniente em Brasília: a de que dinheiro, influência e acesso respeitam fronteiras ideológicas. Não respeitam. O banqueiro aparece cercado por relações que atravessam tribunais, Ministério Público e Congresso. E agora Nikolas Ferreira também entrou no enredo.

Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e André Mendonça já haviam sido alcançados por mensagens, encontros e questionamentos surgidos no curso das investigações. O ponto central segue sendo o mesmo. Se faz necessário esclarecer se essas relações ficaram no campo do contato institucional e pessoal ou se produziram algum tipo de atuação concreta em favor de Vorcaro.

Nikolas entrou na história com o dedo em riste. Divulgou material, cobrou afastamentos e transformou o caso em munição política contra Moraes e Gonet. A postura era a de quem observava o escândalo do lado de fora.

Só que Brasília adora devolver o espelho. Pouco depois, vieram à tona conversas mostrando que o próprio deputado também mantinha contato com Vorcaro. Em uma delas, Nikolas teria procurado o banqueiro para tratar de um interesse ligado a um ativo minerário relacionado a um ex-assessor.

Nikolas reconheceu a conversa, mas negou proximidade, repasses financeiros ou qualquer irregularidade. Pode até não haver ilícito algum. Mas politicamente o efeito é corrosivo: quem exigia explicações agora também precisa oferecê-las. E o discurso moral ganha outra textura quando o acusador descobre que também aparece no telefone do personagem central da crise.

É aí que o caso fica realmente interessante. Vorcaro não parece ter escolhido lado. Escolheu acesso. E teve bastante. Quando ministros, procuradores e parlamentares de campos distintos aparecem orbitando o mesmo banqueiro, a pergunta deixa de ser quem é o mocinho da vez. A pergunta passa a ser por que tanta gente poderosa parecia tão acessível a ele?

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Cristina Esteche

Jornalista

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