22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Cristina Graeml descobre as vantagens do sistema

Candidata construiu discurso contra fundo eleitoral, partidos tradicionais e velha política, agora tenta conciliar R$ 3,5 milhões de recursos públicos, PSD e Ratinho Jr

Cristina Graeml, candidata ao Senado Federal (Foto: reprodução/ Youtube)

Cristina Graeml passou boa parte da trajetória política dizendo que era diferente. Diferente dos partidos, diferente das estruturas tradicionais, diferente dos candidatos financiados com dinheiro público. Na sabatina da RPC, nesta sexta (4), porém, apareceu uma candidata bem mais convencional do que aquela ‘outsider’ apresentada ao eleitor em 2024. E não há nada mais desconfortável para um político do que ser confrontado com as próprias frases.

O fundo eleitoral resume bem essa transformação. Antes, Cristina tratava o uso de dinheiro público em campanha como símbolo de uma política que precisava ser rejeitada. Agora, recebeu R$ 3,5 milhões e explica que uma campanha para o Senado exige deslocamentos, estrutura e recursos. Tudo verdade. Só faltou explicar por que essa lógica, tão óbvia hoje, parecia tão inaceitável quando eram os outros que utilizavam o fundo.

A mesma elasticidade aparece na trajetória partidária. PMB, Podemos, União Brasil e PSD em pouco tempo. Para qualquer político tradicional, seria apenas movimentação de bastidor. Para quem construiu capital eleitoral atacando justamente esse tipo de acomodação, o problema é maior. Cristina não está apenas mudando de partido. Está desmontando, aos poucos, a própria narrativa de independência.

PSD, O MAIS EMBLEMÁTICO

O PSD é o ponto mais emblemático. A legenda que já esteve no alvo das críticas dela agora se tornou casa política. E mais: Cristina passou a celebrar a proximidade com Ratinho Junior. O sistema que antes parecia apodrecido ganhou, de repente, boas instalações, estrutura eficiente e endereço conveniente.

É verdade que algumas posições continuam intactas. Cristina segue dura contra o STF e mantém o discurso conservador que mobiliza a base. Mas aí surge uma pergunta inevitável: por que justamente as convicções que não atrapalham a viabilidade eleitoral permanecem rígidas, enquanto aquelas relacionadas a dinheiro, partido e poder se tornam tão flexíveis?

O problema de Cristina Graeml não estar dentro do jogo político. É continuar fingindo que joga outro jogo. Hoje ela tem fundo eleitoral, partido grande, governador, estrutura e alianças. Isso se chama política. O que já não cabe é continuar usando o figurino de antissistema depois de descobrir, com notável rapidez, todas as vantagens de estar dentro dele.

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Cristina Esteche

Jornalista

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