“Minha candidatura não é contra o Maia e nem contra ninguém”, diz Ricardo Barros

Deputado diz que coloca a experiência, de capacidade de trabalho e de articulação para "esse novo momento do país”

Deputado Ricardo Barros (Foto:Divulgação)

Embora a sua candidatura seja apontada como uma resposta do centrão ao apoio dado pelo PSL à reeleição de Rodrigo Maia à presidência da Câmara Federal, o deputado paranaense Ricardo Barros nega que essa seja a razão que o fez lançar seu nome à disputa em Brasília.

“Convém destacar, em primeiro lugar, que minha candidatura não é contra o atual presidente Rodrigo Maia nem contra ninguém”, afirmou ao Portal RSN nesta quarta feira (23).

O parlamentar lembra que em fevereiro toma posse para o sexto mandato. “Durante esse período, fui líder e vice-líder dos governos FHC, Lula e Dilma, relator geral do Orçamento da União em 2016, e ministro da Saúde do governo Temer”. Segundo Ricardo Barros, é esse Know-How que o qualifica para exercer tão importante função. “Os deputados são os representantes do povo, eleitos legitimamente para essa função”.

Barros disse também que os candidatos e as candidaturas tem uma motivação. “A minha é pela tarefa árdua que terá o novo presidente da Câmara. Na formação de maioria, no relacionamento com tantos deputados novos, um governo novo e, em especial, com pautas difíceis que virão”.

O anúncio da candidatura foi feita pelo próprio deputado ao PP em mensagem encaminhada aos colegas de partido. “Lancei minha disposição de concorrer à Presidência da Câmara na semana passada, de forma independente, como prevê o Regimento Interno da Casa. Tenho trabalhado com cada parlamentar individualmente”.

Nesta semana o ex-ministro da saúde esteve com várias lideranças apresentando o seu nome. “Ontem [22] mesmo estive com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, com o líder do MDB, Baleia Rossi, e também conversei com o PT e vários deputados de outras legendas como o PSL”.

Sou candidato para empoderar o Legislativo. A Câmara não pode ser menor que os demais poderes. A Câmara é a Casa do Povo e merece respeito.

Embora negue qualquer oposição a Maia, analistas políticos veem a candidatura do paranaense e de outros deputados, como estratégia do PP e do MDB para derrotar o candidato do DEM. Hoje, Rodrigo Maia é o nome mais forte e tem o apoio do ministro chefe da Casa Civil, Onix Lorenzi, que também é filiado ao DEM. A expectativa é de levar a disputa para o segundo turno quando haverá uma coalizão contra Maia. A aposta de Barros é que ele pode ser essa opção.

“Estou bastante animado de ir par ao segundo turno e chegar à vitória. Alguns partidos ainda vão se posicionar, vão se reunir no fim do mês e as coisas, como sempre, vão se resolver no último momento”.

Com poder de articulação já comprovado em eleições anteriores, principalmente no Paraná, quando colocou a sua esposa Cida Borghetti como vice do ex-governador Beto Richa (PSDB), vindo a assumir o cargo e ser candidata governista à reeleição, Ricardo Barros tem esse atributo como peso-pesado da atual candidatura.

“Precisamos de harmonia, independência dos poderes. A Câmara pode decidir, melhor do que qualquer um, temas como a reforma da previdência, aborto, simplificação tributária. Dar soluções aos problemas que a população apresenta”.

A Câmara precisa neste momento de alguém com articulação suficiente e capacidade e coragem de enfrentar, em especial, o Poder Judiciário, que tenta estar acima dos outros poderes.

Esquivando-se de uma resposta concreta quando questionado sobre a conduta de Maia na presidência da Câmara, Ricardo barros limita-se a responder: “Repito, a minha candidatura não é contra o Rodrigo Maia. É a favor do Brasil, coloco a minha experiência e capacidade de trabalho e de articulação para esse novo momento do país”.

Caso seja eleito no dia 1º de fevereiro, quando acontece a eleição, o parlamentar, se eleito, será o terceiro homem do Paraná com influência nas decisões do país. Sergio Moro e Edson Fachin respondem pelo Ministério da Justiça e pela presidência do Supremo Tribunal Federal, respectivamente.

“É uma possibilidade de termos mais um paranaense em posição de destaque no cenário nacional. O nosso Estado ganha com isso. Nos mandatos e em todas as funções que exerci – na relatoria-geral do orçamento, no Ministério da Saúde – busquei dar atenção especial ao Paraná como aos demais estados. Podem contar comigo na presidência da Câmara. Vou ajudar o Paraná e o Brasil a crescer, gerar empregos e oportunidades para a nossa gente”.

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