Pelo menos quatro médicos já se desligaram do Santa Tereza, em Guarapuava

Destes, dois são neurologistas, os únicos da instituição. Diretoria tenta negociar o retorno deles ao corpo clínico

A crise financeira instaurada no Hospital Santa Tereza, em Guarapuava, continua trazendo baixas no quadro clínico da instituição. Até o momento, pelo menos quatro médicos já deixaram o HST, entre eles, dois cirurgiões. Dois neurologistas também já apresentaram a carta de desligamento. No caso dos neuros, eles são os únicos com esta especialidade na instituição.

De acordo com informações da assessoria de comunicação do HST, ontem, terça feira (19), a diretoria do hospital tentava renegociar a permanência dos dois neurologistas. Apesar de quatro desligamentos terem sido confirmados pelo hospital, este número pode ser maior. A administração do hospital não confirmou ao Portal RSN o número exato de desligamentos solicitados entre abril, quando a crise com os médicos veio à tona, e junho, quando se agravou. Alguns dos médicos que permanecem na instituição, entretanto, diminuíram a carga horária do expediente.

Questionados por esta reportagem sobre eventuais problemas nos atendimentos devido aos desligamentos de parte do corpo clínico, o HST informou, apenas, que houveram pequenas falhas pontuais nas escalas do Pronto Socorro e, também, nas Unidades de Terapias Intensivas (UTI’s).

POSSÍVEL SOLUÇÃO

Através da assessoria de comunicação, o presidente do hospital, Frederico Eduardo W. Virmond, informou que a diretoria do HST realizou um estudo para possíveis soluções que podem salvar a instituição. Entre elas, ele menciona que seria necessário uma revisão da contratualização firmada em 2013 com o Governo do Estado do Paraná, quando o hospital atendia, em média, mil pacientes por ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No primeiro semestre de 2018, já foram realizados 1700 atendimentos.

“No último ano, atendemos uma média de 2000 pacientes por mês pelo SUS. Então, a demanda aumentou muito. Houveram incrementos como o HOSPSUS e Rede Mãe Paranaense, mas esses repasses são condicionados à novas metas, ou seja, mais atendimentos, não suprindo o déficit deixado pelo não reajuste da contratualização”, informou a assessoria. Recentemente, o Governo do Estado liberou um reajuste de contrato com a instituição, por intermédio do deputado Bernardo Ribas Carli. Foram autorizados R$ 109.739,00 deste reajuste, que deverá ser depositado nesta semana para o Instituto Virmond, que mantém o hospital. A informação foi confirmada pelo diretor da 5ª Regional de Saúde de Guarapuava, Márcio Brunsfeld.

Até sexta feira (22), também deverá ocorrer o repasse do governo de R$ 300 mil para a implantação e manutenção do ambulatório de ortopedia do HST. Estes valores, no entanto, não resolvem o impasse financeiro da instituição, já que não conseguem cobrir o restante da dívida do hospital com os médicos. A informação mais recente divulgada pelo hospital é de que esta dívida estaria na casa dos R$ 800 mil, porém, não há informações se este valor sofreu alterações para mais ou para menos. Fora esta dívida, o hospital possui um déficit mensal de R$ 400 mil.

“Outra solução seria o custeio, por parte do governo, da UTI. Cada leito custa para o hospital R$ 720 por dia. A contratualização não custeia esse gasto”, informou a direção do HST.

CONSELHO PROVISÓRIO

Há quase três semanas, um conselho provisório, formado por 12 entidades de Guarapuava, foi criado para tentar solucionar a crise que envolve o Hospital Santa Tereza. Após realizarem algumas reuniões de estudo sobre a instituição, o conselho aguarda a realização de uma assembleia para que um novo grupo seja formado, desta vez, com poderes deliberativos. O grupo funcionará como uma espécie de provedoria, que poderá tomar decisões sobre a administração do hospital. De acordo com Márcio, que representa a 5ª Regional no conselho provisório, ainda não há informações de quando esta reunião pode ocorrer.

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