22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Qualquer semelhança não é mera coincidência

Alexandre Curi lançou: “Menos Brasília, mais Paraná". Deltan Dallagnol veio depois com: “Mais Paraná, menos Brasília.”

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Pelo menos não na corrida pelo Senado no Paraná. Alexandre Curi colocou na rua o slogan “Menos Brasília, mais Paraná”. Pouco depois, Deltan Dallagnol apareceu com “Mais Paraná, menos Brasília”. Mudou a ordem das palavras, preservou a ideia e entregou à campanha adversária uma oportunidade que nenhum marqueteiro desperdiçaria.

A equipe de Curi decidiu não transformar o episódio, por enquanto, em uma batalha na Justiça Eleitoral. Preferiu algo politicamente mais incômodo: a ironia. Classificou a semelhança como um “Ctrl+C, Ctrl+V”, numa referência direta ao velho comando de copiar e colar. Na política, às vezes uma boa provocação circula mais do que uma petição.

Deltan, naturalmente, não deixou barato. Depois de questionamento feito pela Folha de S.Paulo, a equipe respondeu com outro material: “Vote em quem não vive de slogan!” E acrescentou uma provocação sobre os Diários Secretos, episódio que marcou a história da Assembleia Legislativa. O candidato trocou, assim, a discussão sobre originalidade por um ataque ao passado político do adversário.

É preciso colocar um ponto jurídico onde a campanha coloca uma interrogação política. Curi foi investigado no contexto dos Diários Secretos, mas os inquéritos mencionados foram trancados e uma ação cível que buscava responsabilizá-lo foi julgada improcedente. Portanto, a frase usada por Deltan deve ser entendida como retórica eleitoral e ataque de campanha, não como demonstração de responsabilidade de Curi pelo esquema.

MESMO ELEITORADO

Mas o episódio revela algo mais interessante do que a simples disputa pela autoria de meia dúzia de palavras. Curi e Deltan parecem estar olhando para um eleitor parecido: aquele que deseja ver o Paraná mais distante das disputas de Brasília e mais presente nas decisões de seus representantes. Se os dois chegaram praticamente à mesma mensagem, talvez seja porque identificaram o mesmo sentimento no eleitorado.

A diferença estará na capacidade de convencer o eleitor sobre quem representa melhor essa promessa. Curi carrega uma longa trajetória na política estadual e aposta na identidade paranaense. Deltan construiu sua projeção justamente a partir de Brasília e da Lava Jato e agora tenta se apresentar como uma voz do Paraná no Senado. Um diz que quer menos Brasília. O outro diz que quer mais Paraná. No fim, politicamente, dizem quase a mesma coisa.

A campanha mal começou e já mostrou que a disputa pelo Senado terá espaço para propostas, ataques, memória política e, pelo visto, alguma criatividade emprestada. Entre o “menos Brasília, mais Paraná” e o “mais Paraná, menos Brasília”, sobra ao eleitor decidir quem convence mais. Porque, desta vez, qualquer semelhança realmente parece estar longe de ser mera coincidência.

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Cristina Esteche

Jornalista

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