22/08/2023
Blog da Cris Política

Segundo voto pode ser decisivo na disputa pelo Senado no Paraná

Quaest mostra Curi em ascensão, Gleisi ganhando espaço e Deltan sob pressão enquanto Filipe e Cristina Graeml disputam espaço em um eleitorado ainda amplamente indefinido

Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann (Foto: reprodução)oto reprodução

A pesquisa Quaest para o Senado no Paraná revela um aspecto pouco explorado até agora. Mostra que a disputa pode ser menos sobre quem lidera e mais sobre quem consegue virar o segundo voto do eleitor. Com duas vagas em jogo, não basta ter uma base fiel. O candidato competitivo precisa também ser aceitável para quem já escolheu outro nome como prioridade.

É nesse terreno que Alexandre Curi pode estar construindo a principal vantagem. O crescimento para 15% sugere que a candidatura começa a circular para além de um eleitorado específico. Curi pode se beneficiar justamente de uma posição menos polarizada, tornando-se uma opção complementar para eleitores de diferentes campos.

Gleisi Hoffmann vive uma situação diferente. Os 11% mostram força e capacidade de mobilização, especialmente entre eleitores já identificados com o campo político dela. Mas a próxima batalha será ampliar a presença como segunda escolha. Em uma eleição para duas cadeiras, ter um eleitorado fiel garante largada forte, mas não necessariamente garante chegada.

O caso de Deltan Dallagnol talvez seja o mais interessante. Os 9% ainda representam uma base relevante, mas o problema pode estar na dificuldade de conquistar votos fora dela. Deltan corre o risco de ser uma primeira escolha muito forte para um grupo e, ao mesmo tempo, uma segunda escolha pouco considerada pelos demais. Numa disputa proporcionalmente tão aberta, isso pode custar caro.

DENTRO DO MESMO CAMPO

Filipe Barros e Cristina Graeml enfrentam outro obstáculo: a concorrência dentro do próprio campo. Os dois disputam espaço com Deltan entre eleitores mais conservadores. Se esse eleitorado pulverizar seus dois votos entre vários candidatos, pode acabar abrindo caminho para nomes com maior capacidade de atravessar fronteiras políticas.

Por isso, o dado de 90% de indecisos na pesquisa espontânea talvez seja mais importante que a própria ordem dos candidatos. O Senado ainda não entrou de verdade no radar da maioria. Quando isso acontecer, alianças, dobradinhas e a disputa pelo “meu primeiro voto” e pelo “meu segundo voto” podem valer mais do que a liderança de agora. A verdadeira corrida, portanto, pode não ser para ser o preferido. Mas para ser o candidato que o eleitor aceita colocar ao lado do seu preferido.

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Cristina Esteche

Jornalista

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