Traves soltas são riscos para atletas de futebol, alerta engenheiro

Em Guarapuava, traves de ginásios de esportes e quadras não têm fixação, confirma secretário de Esportes

A morte do adolescente João Gabriel Tomacheski, de 16 anos, vítima de choque hemorrágico e traumatismo craniano, após a queda de uma trave de futebol, em Guarapuava, levanta um debate sobre a segurança nos campos de futebol do município.

João Gabriel morreu na última quarta feira (26) quando participava de atividade desenvolvida por um projeto social com voluntários num campo de futebol society entre o Residencial 2000 e o bairro Morro Alto. O menino se pendurou na trave e enroscou um dos pés na rede, provocando a queda fatal do travessão sobre a cabeça.

(Foto: Reprodução/Facebook)

De acordo com o secretário municipal de Esportes e Recreação, Pablo Almeida, as traves colocadas nos ginásios esportivos da cidade e do interior e também em campos móveis. “Nos ginásios isso acontece porque outras modalidades esportivas como vôlei, basquete, requerem a retirada dos travessões”, explicou ao Portal RSN.

De acordo com o secretário, não existe regulamentação técnica sobre a fixação de traves em complexos esportivos que compartilham espaço com outras modalidades. “As nossas traves em gramas sintéticas têm fixação”. A exceção fica por conta dos estádios de futebol em partidas oficias que são fiscalizadas por federações e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Entretanto, com as duas fatalidades ocorridas em Guarapuava, uma delas em 2014 envolvendo o também adolescente Vinicius Bail na quadra do Colégio Estadual Visconde de Guarapuava, resultando na cegueira do menino, e agora a morte de João Gabriel, Pablo Almeida diz que cuidados precisam serem tomados.

(Foto: Arquivo/RSN)

De acordo com o engenheiro de segurança no trabalho, Daniel Zarpelon, o ideal é que as traves sejam fixadas no solo, porém, segundo a Confederação Brasileira de Futebol de Salão, no caso das quadras em ginásios de esportes, poderão ser ancoradas com peso na base, justamente para impedir que desloque ou tombe. “É uma segurança parcial, pois não está fixa”, diz o engenheiro.

(Foto: Divulgação/Pixabay)

Segundo ele, todo cuidado ainda pouco e é preciso orientação nos locais onde há essa prática esportiva, para que se evite que atletas se pendurem ou façam aquecimento tendo o travessão como apoio.

Para se ter uma ideia, de acordo com Daniel Zarpelon, como as traves de futsal, por exemplo, geralmente são de ferro, pesam em média 100 quilos.

“Uma criança que tenha 1,36 metro de altura e massa corporal de 36 quilos, a velocidade da queda do travessão equivale 26 Km/h. Porém, o impacto é como se fosse o arremesso de uma bola de boliche com velocidade de 61,2 km/hora”.

Por isso, outra dica de segurança dada pelo engenheiro é que os fixadores de rede sejam confeccionados em PVC, “material resistente e flexível”, com cantos arredondados. “É necessário também cartazes de alerta perto das traves, alertando sobre o que não se deve fazer”.

ALERTA

– Nunca suba ou se pendure na trave;
– Não manuseie as traves em dias de vento forte;
– Fuja de locais abertos [onde existam traves] em dias de chuva e com raios.

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