22/08/2023
Blog da Cris Política

Fundo Eleitoral escancara a prioridade do projeto político do casal Moro

Enquanto Rosângela Moro recebeu R$ 2,6 milhões do Fundo Eleitoral, a candidata do PL por Guarapuava, Shanisys, aparecia no início de setembro sem qualquer repasse.

Rosângela e Sergio Moro (Foto: reprodução/ Carta Capital)

A distribuição do Fundo Eleitoral pelo PL no Paraná tornou visível algo que a campanha tenta apresentar de forma separada: Sergio Moro e a esposa Rosângela não disputam apenas duas eleições. Constroem, juntos, um projeto político de poder no Estado. Ela recebeu R$ 2,6 milhões para concorrer à Câmara dos Deputados, enquanto ele busca o Governo do Paraná.

De acordo com o repasse, o valor destinado a Rosângela representa cerca de 34% de toda a verba repassada pelo partido às candidatas mulheres no Estado. É uma concentração expressiva demais para ser tratada como simples opção contábil. O dinheiro mostra onde está a prioridade. Enquanto o PL espalha candidaturas pelo Paraná, uma parcela gigantesca dos recursos femininos fica concentrada justamente na esposa do candidato ao governo.

O contraste ajuda a entender o tamanho da escolha. Shanisys Martins Massuqueto Virmond Butenes, candidata do PL por Guarapuava, aparecia no início de setembro sem repasse do Fundo Eleitoral. Outras candidatas também aparecem sem recursos. O partido pode falar em competitividade, mas a mensagem prática é inequívoca. Isso porque algumas candidaturas são chamadas para disputar; outras parecem chamadas apenas para compor a chapa.

O aspecto mais incômodo está na trajetória do casal. Rosângela foi eleita deputada federal por São Paulo em 2022. Sergio Moro, naquele mesmo período, tentou transferir o domicílio eleitoral para São Paulo e só disputou o Senado pelo Paraná depois que a Justiça Eleitoral rejeitou a mudança. Agora, quatro anos depois, os dois convergem politicamente para o Paraná. Ele quer governar o Estado; ela quer representar a bancada federal paranaense.

CONTRADIÇÃO POLÍTICA

A legalidade dessas mudanças não elimina a contradição política. Pelo contrário. Quando São Paulo serviu ao projeto eleitoral, o casal investiu politicamente em São Paulo. Quando o Paraná passou a oferecer o caminho para a expansão desse projeto, o centro de gravidade mudou de endereço. E nem mesmo durante a campanha Moro rompe completamente essa lógica. Nesta semana, ele cancelou compromisso no Paraná para cumprir agenda política em São Paulo.

É nesse contexto que os R$ 2,6 milhões ganham significado. Não parecem apenas financiar uma candidatura proporcional; ajudam a montar uma estrutura de poder em duas frentes. Moro tenta conquistar o Palácio Iguaçu enquanto Rosângela busca uma cadeira na bancada federal paranaense, impulsionada por uma fatia excepcional do dinheiro público destinado pelo partido.

O PL pode chamar isso de estratégia. O eleitor também pode chamar pelo nome político que preferir. Mas uma coisa os números deixam difícil esconder: neste momento, uma das maiores prioridades eleitorais da legenda no Paraná atende diretamente ao projeto do casal Moro.

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Cristina Esteche

Jornalista

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