Ato em favor das mulheres debate a cultura do estupro em Guarapuava

O ato pediu justiça ao caso e a todas as mulheres que foram estupradas. Além disso, indicaram caminhos para combater a cultura do estupro

Ato em favor das mulheres debate a cultura do estupro em Guarapuava (Foto: Reprodução/Camilla Dall’Agnol)

Em um ato nesse domingo (8) manifestantes pediram justiça ao caso de Marina Ferrer em Guarapuava. Os manifestantes, majoritariamente mulheres, reforçaram o combate a cultura do estupro. Marina Ferrer foi estuprada pelo empresário André de Camargo Aranha em 2018 e na última semana, o caso teve repercussão nacional. Isso porque o acusado foi inocentado e o crime considerado “estupro culposo”. O resultado do julgamento causou revolta nas redes sociais e os pedidos por justiça seguem.

A manifestação pacífica ocorreu na praça 9 de Dezembro a partir das 15h. Conforme uma das organizadoras do Levante Popular da Juventude e uma das organizadoras do ato, o movimento teve partida com a percepção de vários atos que ocorreram em muitas cidades do país. Logo, movimentos sociais, coletivos, organizações estudantis e feministas puxaram a ação em Guarapuava. Como o Levante Popular da Juventude, a Marcha Mundial das Mulheres, o Quilombo Paiol de Telha e a União da Juventude Comunista.

O nosso objetivo foi mostrar toda nossa indignação com o caso de Mari Ferrer. Mas que não é um caso isolado. Essa foi uma situação que teve bastante repercussão na mídia, mas milhares de mulheres sofrem isso todo dia. Por isso, nossa manifestação foi um grito por justiça para Mari Ferrer e para todas as mulheres. Além de também gritarmos “Fora Bolsonaro”, entendendo todo discurso misógino que ele representa.

(Foto: Reprodução/Camilla Dall’Agnol)

CULTURA DO ESTUPRO

Além disso, o ato com cartazes, músicas, apresentações artísticas teve por objetivo falar sobre a cultura do estupro em nosso município e em todo país. E principalmente, como combater. De acordo com a organizadora, é preciso falar mais sobre o assunto em nossa sociedade. “Nas nossas casas, com nossos amigo e familiares, precisamos falar mais da inviolabilidade dos corpos das mulheres. Assim, ensinando que não é sempre não. E, se uma mulher não consente com um ato sexual será estupro”.

Ela também acredita que as mulheres que passam por esse tipo de situação precisam receber mais empatia. “Precisamos possibilitar que as mulheres falem e se sintam acolhidas. A cultura do estupro se baseia na solidão e medo em que nós mulheres vivemos. A solidariedade e a empatia são as respostas possíveis de transformação, a nível pessoal, da cultura do estupro”.

(Foto: Reprodução/Camilla Dall’Agnol)

PEDIDO POR MUDANÇAS

No ato, as mulheres também discutiram sobre mudanças e políticas públicas. Conforme uma das representantes da Marcha Mundial das Mulheres, educação, saúde e assistência social precisam se interseccionalizar para o combate às estruturas de opressão. “Por exemplo, nas escolas, em todos os níveis, deveríamos falar de educação sexual para diagnosticar e prevenir os estupros que acontecem em casa com nossas crianças e adolescentes. Na saúde, precisamos ampliar o atendimento às vítimas. E na Justiça e seus órgãos auxiliares precisamos melhorar o acesso das mulheres, garantindo que suas dignidades sejam preservadas.”

A organizadora ainda diz que em nível econômico precisamos combater a ‘feminização’ da pobreza. Isso porque ela torna as mulheres pobres mais vulneráveis aos abusos dos homens. “Isso sem falar da inclusão de raça para execução das políticas públicas: mulheres negras e indígenas são ainda mais vulneráveis às violências”.

Além disso, a representante afirma que a luta contra o machismo não é apenas das mulheres.

A luta contra o machismo não é uma luta exclusiva das mulheres. Os homens precisam estar junto com a gente lutando contra toda violência. Eles podem contribuir muito a partir do momento que entendem o patriarcado enquanto uma estrutura que oprime as mulheres. E como isso faz com que eles reproduzam práticas machistas cotidianamente. Tomando consciência disso, cabe aos homens lutarem contra esse sistema também. Essa luta não é feita sozinha. Isso porque os problemas coletivos são resolvidos coletivamente.

O CASO

Conforme Mariana, o estupro ocorreu na noite de 15 de dezembro de 2018, na festa de abertura do verão Music Sunset do beach club Café de la Musique, em Jurerê Internacional. O club fica em Florianópolis, praia conhecida por ser point de ricos e famosos. Além disso, os ingressos para os eventos no local variam entre R$ 100 e R$ 1,5 mil, dependendo da festa.

Desse modo, Mariana, na ocasião com 21 anos, trabalhava como promotora do evento, responsável por divulgar a festa nas redes sociais. Um vídeo, que mostra Mariana grogue subindo uma escada com a ajuda de Aranha em direção a um camarim restrito da casa, vazou na internet. Por fim, eles sobem os degraus às 22h25. Além disso, seis minutos depois, ela desce, seguida de Aranha.

*Com informações do The Intercept Brasil

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