Preso morre enforcado na cadeia pública de Guarapuava

Essa é a 2ª morte dentro da cadeia pública de Guarapuava em 2020. No ano passado, sete presos morreram no sistema prisional na cidade. Seis dentro da cadeia

Uma das celas do cadeião (Foto: Reprodução/G1)

Um preso da carceragem da cadeia pública de Guarapuava foi encontrado morto na cela na manhã desta terça (5). De acordo com informações repassadas ao Portal RSN, a morte por enforcamento ocorreu nas primeiras horas da manhã.

O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) onde será identificado oficialmente. Esta é a segunda morte registrada em 2020 dentro da cadeia pública de Guarapuava. A primeira foi no dia 23 de janeiro quando um preso foi encontrado degolado.

O caos instalado dentro da Cadeia Pública de Guarapuava pode ser traduzida pelas mortes em série, a maioria por enforcamentos. De março até junho de 2019, seis presos foram mortos enforcados em Guarapuava. Cinco na cadeia e um na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG). Todos de forma parecida.

MORTES 2019

A Polícia Civil de Guarapuava investiga as mortes em celas da cadeia pública e na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG). Em 2019, a primeira morte aconteceu no dia 7 de março, quando Crisley Junior Vaz de 23 anos foi encontrado morto por enforcamento.

Em seguida, no dia 24 do mesmo mês, Samuel da Cruz Wass, 23 anos, também morreu enforcado em uma das celas do cadeião. No 25 de abril, também numa das celas, mas nesta vez na PIG, o jovem Leonardo Martinelli de 26 anos foi encontrado pendurado por um lençol.

(Foto: Reprodução/Facebook)

No dia 28 de abril, Valderi Antonio Moraes Knopik, de 30 anos, também foi encontrado enforcado numa das celas da cadeia. Em 2018 ele foi preso por falta de pagamento de pensão alimentícia. Segundo o perfil de Valderi no Facebook, ele era rapper na banda Komarca 42.

Valderi Antonio Moraes Knopik (Foto: Reprodução/Facebook)

No dia 23 de maio, Jaison Donisete Gonçalves, de 36 anos, foi encontrado enforcado na cela. Pouco tempo depois, do dia 12 de junho, um jovem de 21 anos também foi encontrado enforcado. No dia 30 de setembro, mais uma morte foi registrada dentro da carceragem da cadeia. Desta vez, um preso morreu após ‘passar mal’.

Assim foram sete mortes no sistema prisional em 2019. Conforme o Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte de Rafael Bvalchknevstz da Silva, de 25 anos, ficou indefinida.

(Foto: Larissa Ortiz/RSN)

CADEIA PÚBLICA

Há muito tempo, o Portal RSN denuncia com reportagens, a precariedade da cadeia, as mortes, as tentativas de fuga e as apreensões de drogas, armas e celulares. Também não é novidade que na cadeia de Guarapuava existem mais de 40 faccionados do PCC.

Porém, eles disputam o poder dentro da carceragem, e têm como moeda de troca, o medo e a vida de quem não adere à facção. Assim, trata-se de um submundo que quem conheceu, tenta esquecer. Até o ano passado, o  Departamento Penitenciário do Paraná havia informado que a cadeia possuía 429 presos. Porém, o espaço foi construído para abrigar 166 presos provisórios. Superlotada, a cadeia é portanto, um barril de pólvora prestes a explodir.

SISTEMA CARCERÁRIO

Guarapuava está incluída no ‘pacote’ anunciado pelo Governo do Paraná em agosto de 2019. Conforme o anúncio, a modernização do sistema carcerário se dará em 33 unidades de 13 municípios paranaenses.

Na época, o Governo afirmou que as obras absorverão R$ 14 milhões, recursos estes do tesouro Estadual.
Segundo o Governo, as intervenções serão gerenciadas pela Paraná Edificações (Predi), de acordo com a demanda de cada unidade. O prazo dado em agosto era até 210 dias, ou seja março deste ano.

De acordo com o Departamento Penitenciário do Estado (Depen), o ‘pacote’ será destinado a penitenciárias, cadeias públicas, delegacias, casas de custódia e institutos médicos legais (IML) do Estado.

CASA DE CUSTÓDIA

O problema da cadeia pública de Guarapuava precisa ser resolvido pelas autoridades, com a construção de uma casa de custódia. Assim, o cadeião bem no Centro da cidade seria desativado, acabando com o medo que envolve moradores do entorno da 14ª Subdivisão Policial, que hoje cede parte da estrutura para a carceragem.

Também em agosto de 2019, o recurso para a construção da Casa de Custódia em Guarapuava foi previsto no Orçamento do Governo do Estado para 2020. A garantia foi dada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) à deputada Cristina Silvestri (Cidadania).

Na época, de acordo com a Sesp, o valor de R$ 20 milhões permitirá uma obra que vai acolher 752 presos. Embora a área ainda não esteja definida, há dois locais que foram oferecidos ao Estado. Uma delas, com oito mil metros quadrados é junto às penitenciárias Industrial de Guarapuava (PIG) e Estadual de Guarapuava (PEG UP). A outra opção é uma área de 72 mil metros quadrados já pertencente ao Governo no Jordão.

A luta pela Casa de Custódia em Guarapuava é antiga. Várias foram as audiências com secretários de Segurança nas últimas gestões. Assim, no final do mandato da ex-governadora Cida Borghetti (PP), ela autorizou a construção da Casa de Custódia. Entretanto, a obra foi confirmada pelo governador de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD).

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