Sequência de fugas e mortes mostra debilidade da Cadeia de Guarapuava

Em dias de chuva, galerias ficam alagadas. A unidade projetada para 166 presos, abriga 436. Nova estrutura deve ser viabilizada em 2022

Dois presos fugiram da cadeia pelo esgoto na última quinta (27) (Foto: Depen)

Não é de hoje que a Cadeia de Guarapuava, anexa a 14ª SDP, se tornou uma bomba relógio na área central de Guarapuava. Uma sequência de fugas e tentativas. E ainda mortes e arremessos de ilícitos têm sido recorrentes. Neste ano, cinco detentos já foram executados dentro da unidade prisional. Uma operação do Gaeco cumpriu mandados de prisão que investigam as execuções dentro da unidade.

Assim, em intervalo de cinco dias, houve duas situações de fuga registradas. Na primeira, guardas prisionais frustraram a fuga. Na outra, dois presos fugiram pelo esgoto. A PM recapturou um deles. E ainda, no dia 6 de julho, 16 detentos fugiram.

Uma das celas da unidade (Foto: Depen)

Assim, pelo projeto, a unidade prisional fundada em outubro de 1983, deveria abrigar 166 detentos. Mas conforme a chefia da cadeia, o número de presos está em 436. Com estrutura debilitada, os cubículos com quatro camas, abrigam no mínimo sete homens.

Desse modo, fotos internas da cadeia, mostram o problema com infiltrações. Em dias de chuva, as galerias ficam encharcadas. E goteiras se formam na laje. Denúncias de familiares feitas ao Portal RSN, informaram que durante a última chuva forte registrada em agosto, os colchões e roupas ficaram molhados.

Galerias sofrem com a ação do tempo (Foto: Depen)

ILÍCITOS

Outro problema recorrente na unidade, é a inserção de ilícitos. No dia 13 de agosto, as PM prendeu um homem tentando ingressar objetos no estabelecimento prisional. Entre os ilícitos, havia uma banana de dinamite. Porém, há registros de diversos lançamentos de celulares, drogas e carregadores este ano. Guardas prisionais atuam no combate dos arremessos. Além disso, na identificação dos envolvidos.

Galerias alagam em dias de chuva (Foto: Depen)

OBRAS

Nesta terça (1), o Governo do Estado anunciou o fim das obras da Cadeia de Guaíra. De acordo com as informações, as obras, iniciadas em setembro de 2019, terminam em novembro de 2020. O novo espaço de 23 mil metros quadrados, cerca de três campos de futebol, terá muro de cinco metros de altura. Além disso, está projetada para 770 presos. As 114 celas, incluem espaços de isolamento e visita íntima. Por fim, serão quatro pátios coletivos para o banho de sol. A obra custou R$ 16,4 milhões.

Enquanto isso, o início das obras da nova unidade prisional em Guarapuava, foi novamente adiada. Assim, a nova data informada, no início de agosto, pelo chefe de cadeias públicas da Regional de Guarapuava, Rodrigo Alves Fávaro, é 2022. De acordo com as informações, um impasse jurídico sobre o terreno onde a unidade será construída atrasou o projeto.

(Foto: Larissa Ortiz/RSN)

PANDEMIA

Assim, a pandemia de covid-19 também afetou o sistema carcerário. Apesar de não ter casos confirmados na cadeia de Guarapuava, as famílias precisaram se adaptar a nova realidade. Assim, para enviar ‘sacolas’ para os familiares presos, precisam se utilizar do Sedex. Ainda de acordo com familiares, o envio dos objetos custa em média R$ 150, em Guarapuava. Não há previsão de retorno de visitas presenciais.

Além disso, no dia 17 de julho, guardas prisionais encontraram drogas que foram enviadas via Sedex em meio a materiais de higiene para a unidade prisional.

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